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EUA registram freio histórico no crescimento populacional em 2024-2025

Entre meados de 2024 e 2025, os Estados Unidos vivem um freio histórico no crescimento populacional. A combinação de menos nascimentos, migração contida e envelhecimento muda a cara do país e pressiona a economia.

Um país que cresce cada vez menos

O quadro se consolida em silêncio, longe de grandes anúncios, mas com números que chamam atenção. A taxa de crescimento anual da população americana, que já supera 1% nos anos 1990, agora oscila perto de 0,3% ao ano, patamar semelhante ao registrado no auge da pandemia de COVID-19. Especialistas tratam o movimento como “freio histórico” e afirmam que o país entra em uma nova fase demográfica.

A desaceleração não acontece de um dia para o outro. Há pelo menos uma década, o número médio de filhos por mulher cai de forma consistente e se afasta dos 2,1 necessários para renovar a população. Em 2024, a taxa de fecundidade se aproxima de 1,6 filho por mulher, nível já associado ao envelhecimento rápido observado em países da Europa e no Japão. A pandemia acelera a tendência ao adiar planos de famílias, reduzir rendas e mudar prioridades de vida.

O outro motor histórico do crescimento dos Estados Unidos, a imigração, também perde força. Restrições implementadas nos últimos anos, maior controle de fronteiras e disputas políticas em torno de vistos e refugiados reduzem o fluxo líquido de novos moradores. Mesmo com alguma recuperação em 2024, os volumes seguem abaixo dos picos registrados no início dos anos 2000. “Os EUA sempre compensam a queda da natalidade com imigração. Quando os dois canais desaceleram ao mesmo tempo, o impacto é imediato”, afirma um demógrafo ouvido pela reportagem.

Economia em alerta e mercado de trabalho mais apertado

O novo cenário demográfico chega à economia em cadeia. Uma população que cresce pouco significa mercado consumidor menos dinâmico, força de trabalho mais velha e pressão crescente sobre sistemas de saúde e previdência. A projeção de economistas consultados por universidades americanas indica que, se o ritmo atual se mantiver, a população em idade ativa, entre 18 e 64 anos, pode praticamente estagnar nesta década, avançando menos de 0,2% ao ano até 2030.

Empresas já sentem o aperto. Setores intensivos em mão de obra, como construção civil, logística, agricultura e serviços de cuidado, relatam dificuldade para preencher vagas, mesmo com salários maiores. O risco é de um ciclo em que falta trabalhador jovem, aumenta o custo da mão de obra e a competitividade do país é testada frente a economias com demografia mais favorável. “Sem renovação da força de trabalho, fica mais difícil sustentar crescimento acima de 2% ao ano”, avalia um economista especializado em mercado de trabalho.

O freio demográfico pesa também sobre as contas públicas. Um país com mais idosos e menos nascimentos gasta mais com saúde, aposentadorias e benefícios assistenciais, ao mesmo tempo em que a base de contribuintes cresce pouco. Programas como o Social Security e o Medicare, já sob pressão, entram no centro do debate em Washington. Parlamentares discutem mudanças graduais em idade mínima, fórmulas de reajuste e incentivos para que trabalhadores permaneçam mais tempo em atividade.

Governos estaduais tentam responder com políticas próprias. Alguns oferecem créditos fiscais para famílias com filhos, subsídio a creches e incentivos à imigração qualificada. Outros apostam em programas de requalificação profissional para manter trabalhadores mais velhos produtivos por mais anos. Nada disso, porém, altera de imediato a estrutura etária do país, que continua a avançar rumo a uma sociedade em que, por volta de 2035, o número de idosos deve superar o de crianças pela primeira vez.

O que muda na vida das pessoas e na política

A desaceleração do crescimento populacional tem efeitos concretos no cotidiano. Cidades pequenas, sobretudo no Meio-Oeste e em áreas rurais, já lidam com escolas esvaziadas, queda em matrículas universitárias e hospitais com dificuldade para se manter. Ao mesmo tempo, grandes centros continuam a atrair migrantes, internos e externos, mas veem o custo de vida subir e a disputa por serviços públicos aumentar.

Para as famílias, o novo contexto pressiona decisões de longo prazo. Com salários que não acompanham o custo de moradia, creche e saúde, muitos casais adiam a chegada do primeiro filho ou desistem do segundo. Pesquisadores apontam também mudanças culturais, com maior valorização da carreira, da mobilidade geográfica e da estabilidade financeira antes de formar família. “Não é que as pessoas não queiram filhos. Elas sentem que não conseguem sustentá-los com segurança”, resume uma socióloga que estuda o tema.

A política nacional entra no debate porque a demografia redefine o peso dos Estados e das regiões. Estados que crescem pouco correm o risco de perder cadeiras na Câmara dos Representantes e influência no colégio eleitoral em disputas presidenciais. Estados que ainda atraem migrantes, como Texas e Flórida, reforçam seu poder político, o que tende a reconfigurar prioridades em temas como imigração, políticas sociais e investimentos federais em infraestrutura.

Empresas de tecnologia, saúde e educação tentam transformar o desafio em oportunidade. Investem em automação, inteligência artificial e telemedicina para lidar com a escassez de mão de obra e com a demanda crescente por serviços para idosos. Universidades ampliam programas para atrair estudantes estrangeiros e manter seus campi cheios. Startups miram serviços voltados a quem envelhece, de moradias assistidas a plataformas de trabalho flexível para aposentados.

Pressão por reformas e disputa sobre o papel da imigração

O freio histórico no crescimento populacional coloca os Estados Unidos diante de decisões de fundo. Especialistas defendem uma combinação de estímulo à natalidade, maior participação feminina no mercado de trabalho, prolongamento da vida laboral e abertura mais clara à imigração. Em relatórios divulgados ao longo de 2024, centros de pesquisa insistem que, sem ajustes, a economia pode enfrentar um período prolongado de baixa expansão e maior desigualdade.

A disputa política, porém, é intensa. Grupos contrários à ampliação da imigração argumentam que o país deve priorizar trabalhadores locais e combater a informalidade antes de abrir mais portas. Defensores de uma política migratória mais generosa respondem que, com fecundidade em queda e população envelhecida, os Estados Unidos dependem de novos imigrantes para manter a inovação e financiar seus programas sociais. “A demografia não espera. Cada ano de inação cobra um preço maior”, alerta um pesquisador de políticas públicas.

O debate sobre como reagir ao novo mapa demográfico deve marcar a política americana na próxima década. Decisões tomadas entre 2024 e 2025, em reformas previdenciárias, legislação trabalhista e regras migratórias, tendem a definir se o freio populacional se transforma em crise prolongada ou em transição administrada. A pergunta que fica, em Washington e nas capitais estaduais, é se o país terá apetite político para encarar uma mudança que mexe com o imaginário de uma nação acostumada a crescer sem parar.

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