Velório de Henrique Maderite reúne fãs em BH neste domingo
O influenciador digital e empresário Henrique Maderite é velado neste domingo (8/2), das 12h às 16h, no Cemitério Bosque da Esperança, na Região Norte de Belo Horizonte. A cerimônia é aberta a familiares, amigos e fãs, que se organizam para o último adeus ao criador do bordão que se espalha pelo país: “Sexta-feira, papai. Pode olhar aí, ‘mei-dia’. Quem fez, fez”.
Como Minas se despede de um ídolo das redes
A morte de Maderite, aos 50 anos, na última sexta-feira (6/2), em seu haras em Amarantina, distrito de Ouro Preto, interrompe uma trajetória que mistura humor, carisma e empreendedorismo. Ele transforma o jeito simples de falar sobre o fim de semana em marca registrada e em negócio, acumulando cerca de 2 milhões de seguidores no Instagram e uma presença constante no cotidiano de quem acompanha conteúdos de entretenimento mineiro.
No Bosque da Esperança, o clima é de comoção antecipada. O velório concentrado em quatro horas, das 12h às 16h, deve reunir seguidores que conheceram o influenciador apenas pela tela do celular, mas que dizem se sentir próximos dele. A despedida em Belo Horizonte, e não em Ouro Preto, amplia o acesso de quem mora na capital e na Região Metropolitana, onde ele se torna referência de bom humor às vésperas de toda sexta-feira.
De acordo com a Polícia Militar de Minas Gerais, a perícia aponta morte por causas naturais. Um amigo próximo relata ao jornal Estado de Minas que Maderite sofre um mal súbito no haras, em Amarantina, na Região Central do estado. A informação ajuda a conter especulações nas redes, que desde a noite de sexta acumulam mensagens de surpresa, tristeza e homenagens, em tom de incredulidade diante da notícia.
Nas primeiras 24 horas após a confirmação da morte, a família assume o protagonismo das homenagens. O filho, Henrique Júnior, grava um vídeo na tarde de sábado (7/2) para agradecer o volume de mensagens. Ele aparece emocionado e fala com pausas, tentando organizar as palavras. “Ele tinha muitos fãs, inclusive, eu era o número um”, diz, olhando fixo para a câmera. Em seguida, admite a dificuldade em falar sobre o luto. “A última coisa que eu queria fazer era gravar um vídeo como esse, mas eu precisava agradecer às mensagens. Está doendo. Está doendo demais.”
Em outro trecho, o filho revela um desejo antigo do pai. Segundo ele, Maderite sempre comenta que gostaria de uma morte sem sofrimento prolongado, sem hospitalização extensa. A narrativa, ainda em choque, ecoa entre seguidores que veem na partida súbita uma espécie de realização involuntária desse desejo, embora a ausência pareça precoce para quem o acompanha desde os primeiros vídeos, ainda antes da explosão de engajamento.
A filha, Ana Clara Ferreira, também escolhe as redes sociais para se despedir. Ela publica um vídeo acompanhado de uma mensagem curta e direta. “Me ensinou tudo, menos a viver sem ele. Te amo eternamente! Para sempre, sua Dreds”, escreve. Em outro momento, tenta transformar a dor em consolo. Afirma que o céu “está em festa”, porque recebeu “o melhor ser humano”. E conclui: “A missão do meu pai aqui foi cumprida. Meu pai viveu intensamente, meu pai levou alegria por onde passava”. As frases, entrecortadas pela emoção, sintetizam o impacto afetivo que o influenciador deixa dentro de casa.
Do bordão ao minuto de silêncio no futebol
O alcance de Henrique Maderite vai além das redes. A identidade construída em torno da frase sobre a sexta-feira, repetida em vídeos semanais, se espalha por grupos de WhatsApp, bares, arquibancadas e ambientes de trabalho. Em pouco tempo, o bordão passa a marcar o relógio simbólico de quem espera o fim de semana, reforçando a ideia de que o influenciador traduz, com humor, a ansiedade coletiva por descanso e lazer.
Esse apelo popular se reflete no futebol mineiro. Torcedor declarado do Atlético-MG, Maderite ganha homenagem da torcida alvinegra na noite de sábado (7/2), na Arena MRV, no Bairro Califórnia, Região Noroeste de Belo Horizonte. Antes da bola rolar pelo Campeonato Mineiro, o estádio faz um minuto de silêncio em memória do influenciador. Parte da arquibancada reage com aplausos discretos, em respeito, enquanto vídeos dele circulam entre celulares e perfis de torcedores que associam o “Sexta-feira, papai” aos dias de jogo do Galo.
O gesto do Atlético-MG evidencia como figuras das redes sociais entram de vez no universo simbólico dos clubes. Homenagens como essa, que antes se reservam a ex-jogadores, dirigentes ou vítimas de grandes tragédias, agora se estendem a personagens que ajudam a compor a cultura torcedora. A presença de Maderite no imaginário atleticano mostra que o futebol abraça, cada vez mais, influenciadores que falam a linguagem do torcedor comum.
Nas redes, a repercussão da morte segue intensa. Fãs retomam vídeos antigos, repetem bordões e relatam como o influenciador ajuda a atravessar semanas difíceis com um reforço de bom humor nas sextas-feiras. Outros lembram encontros rápidos em eventos, fotos em estádios, visitas ao haras em Amarantina. Em muitos desses relatos, o termo “alegria” se repete, como senha coletiva para definir o legado que ele deixa.
Entre criadores de conteúdo, a notícia acende também um debate silencioso sobre a pressão por manter uma persona sempre leve e bem-humorada, mesmo diante de problemas pessoais. A morte de Maderite, ainda que por causas naturais, expõe a vulnerabilidade de quem vive em exposição permanente e reforça a percepção de que, por trás de bordões virais, existem rotinas intensas, responsabilidades empresariais e famílias que lidam com a ausência de maneira muito concreta.
Luto compartilhado e a construção da memória
O velório deste domingo, com prazo definido entre meio-dia e 16h, funciona como ponto de encontro entre esses diferentes mundos que ele habita. Familiares, amigos de infância, parceiros de negócios, torcedores e seguidores virtuais dividem o mesmo espaço físico por poucas horas. O cemitério na Região Norte de Belo Horizonte se torna, nesse intervalo, uma espécie de extensão das redes, onde os comentários ganham corpo, voz e lágrima.
Depois da despedida formal, o luto tende a migrar de vez para os ambientes digitais. Perfis de fãs já iniciam movimentos para manter viva a memória do influenciador, com páginas de homenagem e repostagens programadas para todas as sextas-feiras, sempre ao meio-dia. A manutenção desses rituais virtuais indica que o bordão “Quem fez, fez” passa a ganhar novo sentido, agora associado não só à chegada do fim de semana, mas à urgência de viver com a intensidade que os filhos descrevem.
Nos próximos dias, a família deve decidir como organizar o legado digital e empresarial de Maderite, que envolve marcas próprias, parcerias e um acervo volumoso de vídeos. A forma como esse material será preservado ou disponibilizado ajuda a definir que tipo de presença ele manterá na vida dos seguidores. A comoção em torno do velório em Belo Horizonte mostra que, para boa parte desse público, Henrique Maderite já ocupa um lugar definitivo na galeria afetiva de Minas, entre o humor cotidiano e a devoção futebolística.
Enquanto o horário do enterro se aproxima, uma pergunta percorre silenciosamente o cemitério e as redes: quem assumirá, agora, o papel de anunciar, com o mesmo entusiasmo, que a sexta-feira chegou? A resposta talvez não apareça em um novo bordão, mas na forma como cada seguidor decide transformar a saudade em gesto concreto de lembrança.
