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Cuba reduz semana de trabalho e impõe racionamento em crise energética

O governo de Cuba decreta, em fevereiro de 2026, um pacote de medidas de emergência para enfrentar a crise energética. A semana de trabalho encolhe e o acesso a combustíveis e transporte é limitado. A decisão tenta conter um colapso do sistema elétrico em meio à pressão dos Estados Unidos.

Escassez de energia sai das ruas e entra na rotina de trabalho

As interrupções no fornecimento de energia, antes concentradas em alguns horários do dia, agora redesenham a vida do país. A administração central anuncia a redução da semana de trabalho em setores públicos e estatais, com expediente comprimido em até quatro dias, para cortar o consumo de eletricidade em horários de pico. Empresas privadas, ainda minoritárias na economia, recebem orientação para seguir a mesma linha.

Bairros de Havana e de cidades do interior convivem com cortes que se estendem por mais de oito horas em determinados dias, atingindo residências, pequenas fábricas e serviços essenciais. Postos de saúde relatam dificuldade para manter equipamentos funcionando sem geradores, enquanto escolas ajustam aulas para períodos com maior chance de fornecimento. “Vivemos fazendo contas de quando a luz vai voltar”, resume um morador da capital, ouvido por telefone.

Racionamento de combustíveis trava mobilidade e produção

As medidas atingem o coração da mobilidade cubana. O governo restringe a venda de combustíveis em postos, impondo limites diários por veículo e priorizando ambulâncias, transporte coletivo e serviços estratégicos. Linhas de ônibus urbanos operam com intervalos maiores, e trajetos são encurtados para economizar diesel. Nas estradas, o fluxo de caminhões diminui, o que encarece e atrasa a distribuição de alimentos e insumos industriais.

No transporte particular, motoristas enfrentam filas que se estendem por quarteirões em busca de alguns litros de gasolina. Trabalhadores relatam atrasos e faltas ao serviço, enquanto empresas calculam perdas na produção e no comércio. Economistas ouvidos por veículos independentes estimam retração adicional da atividade em 2026, num país que já enfrenta queda acumulada do PIB na última década. “Sem combustível e sem energia estável, não há como manter a produção”, afirma um analista em Havana. Ao mesmo tempo, a pressão dos Estados Unidos, com sanções reforçadas sobre o setor energético e financeiro, restringe a capacidade de Cuba de importar petróleo e investir em infraestrutura.

Pressão externa, desgaste interno e a busca por alternativas

A crise atual se soma a um histórico de vulnerabilidade energética. Desde o fim do apoio soviético nos anos 1990, Cuba depende de acordos com poucos parceiros para abastecer suas usinas termelétricas e sua frota de transporte. Nos últimos anos, problemas técnicos em plantas antigas e atrasos na manutenção reduziram a oferta, enquanto o consumo urbano crescente pressiona a rede. Em 2025, apagões quase diários já alimentam protestos pontuais em grandes cidades, com moradores reclamando de falta de transparência e de planejamento.

A decisão de encurtar a semana de trabalho e racionar combustíveis surge como tentativa de ganhar tempo, mas cobra um preço político e social. Comerciantes veem queda de movimento em dias sem transporte regular, e fábricas operam abaixo da capacidade por falta de energia e insumos. Famílias reorganizam compras, consultas médicas e até celebrações conforme a tabela de cortes, que muda de uma semana para outra. “As pessoas estão cansadas. Querem saber quando isso termina”, relata um professor universitário, que pede anonimato por temer represálias.

Autoridades defendem que as medidas emergenciais evitam um colapso total do sistema elétrico e prometem acelerar projetos de energia renovável, como parques solares e eólicos, para reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados. Especialistas lembram, porém, que a transição energética exige investimentos altos e prazos de vários anos, incompatíveis com a urgência do momento. Enquanto o governo tenta negociar novos fornecedores e aliviar a pressão externa, o país testa seus limites de resiliência. A pergunta que ecoa entre analistas e nas filas de combustível é a mesma: quanto tempo Cuba aguenta viver à meia-luz?

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