Leila cobra Globo por visibilidade ao futebol feminino após título
Leila Pereira usa a entrevista prévia à final da Supercopa Feminina, neste 7 de fevereiro de 2026, para defender a Arena Barueri e cobrar a Globo por mais espaço ao futebol feminino. A presidente do Palmeiras reage à pergunta sobre o local da decisão contra o Corinthians e transforma o pré-jogo em palco de pressão pública pela valorização da modalidade.
Pré-jogo vira debate sobre palco e visibilidade
Os minutos que antecedem o apito inicial em Arena Barueri escapam do roteiro habitual de entrevistas protocolares. Ao ser questionada pela repórter Renata sobre a escolha do estádio, e não do Allianz Parque, como sede do Derby decisivo, Leila abandona a resposta diplomática e decide ampliar o foco. Diz que a discussão sobre o endereço da partida esconde um problema maior: a forma como o futebol feminino ainda aparece na maior vitrine da TV aberta.
Renata argumenta que o deslocamento para Barueri pode afastar parte da torcida palmeirense. Leila reage com firmeza, defende a casa provisória do time e, na mesma frase, aponta a câmera para a emissora. “Essa valorização do futebol feminino parte do investimento que nós estamos fazendo, da divulgação das emissoras. Eu preciso muito da parceria da Globo, com investimento e maior visibilidade, melhores horários para o futebol feminino, não colocar a gente às 8h30, 9h30 da noite, é complicado também”, afirma, ainda no gramado encharcado.
O vídeo com a resposta circula nas redes sociais ainda durante o jogo. Em poucos minutos, torcedores palmeirenses e rivais comentam a cobrança direta à Globo, em uma final transmitida nacionalmente. Entre elogios à coragem da dirigente e críticas ao tom da fala, um ponto se impõe: a disputa de um título entre Palmeiras e Corinthians, em início de temporada, vira vitrine para a cobrança por igualdade de tratamento entre o futebol masculino e o feminino.
Final equilibrada reforça peso do palco
Dentro de campo, o jogo sustenta o tamanho do debate. A chuva cai forte em Barueri, mas não esvazia a arquibancada nem o clima de decisão. O Corinthians sai na frente logo aos 5 minutos, com Jaqueline, em chute forte da direita que supera a goleira Kathe Tapia. A vantagem inicial pressiona o Palmeiras e eleva a tensão em um estádio já envolvido na polêmica do pré-jogo.
O ritmo permanece alto. Andressinha tenta de fora da área, sem sucesso, enquanto Jaqueline e Belén Aquino exploram a velocidade pelos lados para o Corinthians. Aos 16 minutos, uma cena dura paralisa a decisão: Bia Zaneratto divide pelo alto com Lelê, que leva uma joelhada na cabeça. A goleira corintiana deixa o campo para exame de concussão, seguindo protocolo médico, e dá lugar a Nicole. A interrupção longa interrompe o embalo, mas não reduz a intensidade.
O Palmeiras insiste e encontra o empate aos 39 minutos. Andressinha lança com precisão para a área, Bia Zaneratto sobe, cabeceia para o chão e marca seu primeiro gol desde o retorno ao clube. O lance reacende a torcida alviverde em Barueri e reforça, na prática, o argumento de Leila de que o estádio pode, sim, ser palco de grandes decisões. O Corinthians ainda ameaça com chute de Belén Aquino de fora da área, mas a defesa palmeirense segura.
O segundo tempo mantém o jogo amarrado e físico, com chances para os dois lados, mas sem mudança no placar. O 1 a 1 leva a Supercopa para os pênaltis, cenário que concentra a atenção de quem está no estádio e na TV. A série termina em 5 a 4 para o Palmeiras, que ergue a taça sob chuva, enquanto as redes seguem repercutindo a entrevista da dirigente horas antes.
Pressão sobre emissoras e disputa por espaço
A fala de Leila atinge diretamente a maior compradora de direitos esportivos do país e expõe uma tensão que cresce nos bastidores. O calendário do futebol feminino se amplia, com finais estaduais, Brasileirão e competições como a própria Supercopa Feminina, criada em 2022. A oferta de jogos aumenta, mas ainda se concentra em horários tardios, entre 20h30 e 22h, e muitas vezes fica em plataformas digitais, longe da TV aberta em horário nobre.
Enquanto cobra a Globo, Leila reforça o discurso de investimento próprio do Palmeiras, que nos últimos anos monta estruturas específicas para o elenco feminino, amplia folha salarial e aposta em reforços de peso. O título conquistado nos pênaltis contra o principal rival, em 2026, consolida esse projeto esportivo e dá argumento adicional para exigir contrapartida de visibilidade. A dirigente usa a exposição de uma final nacional para enviar um recado que interessa também a outras equipes e atletas.
Nas redes sociais, perfis ligados ao movimento de mulheres no esporte destacam o conteúdo da crítica mais do que o alvo específico. A leitura predominante é de que a pressão pública pode acelerar mudanças em grade de programação e critérios de escolha de transmissões. Para as jogadoras, maior exposição significa contratos de patrocínio mais robustos, bilheterias mais consistentes e perspectivas de carreira menos instáveis, em um mercado que ainda paga, em média, frações dos salários do masculino.
Para a Globo, o episódio funciona como alerta de imagem. A emissora exibe a competição, mas passa a ser cobrada por protagonizar, e não apenas acompanhar, a expansão do futebol feminino. Mudanças em pacotes comerciais, inserções em programas de grande audiência e ajustes de horário viram pontos observados por clubes, federações e patrocinadores ao longo da temporada de 2026.
Calendário cheio e disputa por protagonismo
O título da Supercopa Feminina abre o ano de decisões no calendário nacional e coloca pressão imediata sobre o planejamento de transmissões para Brasileirão, Copa do Brasil e torneios regionais. Dirigentes de outros clubes acompanham a repercussão da entrevista de Leila e medem até onde podem ir em cobranças públicas por mais espaço. A discussão deixa de ser restrita a bastidores de contratos e entra no noticiário de grande audiência.
O próximo passo se desloca para duas frentes. Dentro de campo, Palmeiras e Corinthians já voltam o foco para as competições de 2026, carregando a rivalidade reforçada por mais uma decisão dramática. Fora dele, emissoras, federações e clubes precisam responder à pergunta que ecoa desde Barueri: até quando o futebol feminino seguirá pedindo passagem em vez de ocupar, de fato, o centro do palco?
