São Paulo vira sobre o Primavera e entra na briga pelo mata-mata
O São Paulo vence o Primavera de virada por 2 a 1, neste sábado (7), no Morumbi, e volta à zona de classificação do Paulistão. Lucas Moura e Calleri garantem a reação tricolor depois de o time sair atrás no placar e aliviar a pressão sobre o elenco diante de mais de 30 mil torcedores.
Virada no Morumbi recoloca São Paulo na disputa
O resultado leva o São Paulo, ao menos de forma provisória, ao oitavo lugar do Campeonato Paulista, posição que hoje delimita o grupo dos clubes que avançam ao mata-mata. O time chega a 10 pontos, supera rivais diretos na tabela e volta a enxergar a classificação como um objetivo palpável depois de um início irregular.
O jogo começa com clima de decisão. São Paulo e Primavera entram em campo com os mesmos 7 pontos, lado a lado na classificação e fora da zona de avanço. A partida vale mais do que três pontos: define quem se mantém vivo na briga e quem se complica. Empurrado pela arquibancada, o São Paulo assume o controle desde os primeiros minutos, com Lucas Moura centralizado, pedindo bola e acelerando jogadas pelos dois lados.
As primeiras chances saem em finalizações de média distância. Tapia recebe na intermediária, gira e bate forte, obrigando defesa difícil. Dória sobe em cobrança de escanteio e testa com perigo, mas a zaga do Primavera consegue o corte parcial. A equipe de Indaiatuba sofre para passar do meio de campo e se protege próxima da própria área, tentando esfriar o ritmo.
O roteiro muda aos 30 minutos. O zagueiro Afonso, do Primavera, sofre um choque na cabeça em disputa pelo alto e cai desacordado por alguns instantes. O atendimento mobiliza médicos dos dois clubes e exige entrada da ambulância. A paralisação, que passa dos cinco minutos, derruba a temperatura do Morumbi e quebra o embalo do São Paulo. Na retomada, o Primavera ganha confiança, adianta as linhas e passa a encontrar espaços entre os volantes tricolores.
Paulo Baya e Matheus Anjos começam a aparecer entrelinhas, recebem de frente para a defesa e ameaçam Rafael. Gabriel Poveda briga com os zagueiros, protege a bola e abre corredor para infiltrações. O São Paulo reduz a intensidade, erra passes simples e termina o primeiro tempo sob vaias, um retrato da impaciência da torcida com o desempenho oscilante da equipe no estadual.
Primavera assusta, mas reação tricolor é rápida
O início da etapa final aumenta a tensão. Com apenas três minutos, Welliton ganha na velocidade de Enzo Díaz, avança livre pela direita e sai cara a cara com Rafael. O goleiro se agiganta, fecha o ângulo e evita o gol com defesa decisiva. O lance expõe o desajuste defensivo são-paulino e dá confiança ao Primavera.
Aos oito minutos, a pressão visitante se transforma em vantagem. O ataque do Primavera trabalha a bola pela esquerda, aproxima jogadores e encontra Gabriel Poveda na entrada da área. O centroavante gira rápido, chuta de esquerda e conta com desvio no calcanhar de Ferraresi. A bola trai Rafael e entra lenta, silenciando o Morumbi e inflamando o banco visitante.
O gol obriga o São Paulo a se expor. A equipe adianta laterais, empurra volantes para o campo ofensivo e volta a procurar Lucas Moura entre as linhas. O camisa 7 se movimenta, tenta tabelas curtas e chama o jogo para si. O Primavera recua, compacta dois blocos de marcação e passa a apostar em contra-ataques, em busca de um segundo gol que poderia ser fatal para o Tricolor.
Aos 25 minutos, a insistência são-paulina enfim encontra brecha. Calleri é lançado pela esquerda, domina na corrida e invade a área. O argentino cruza rasteiro, a bola atravessa a pequena área e Lucas Ramón mergulha de carrinho para evitar a saída pela linha de fundo. O lateral toca para trás, e Lucas Moura chega batendo de primeira, forte, para empatar. O grito preso desde o intervalo explode nas arquibancadas.
O empate muda o ambiente em segundos. O São Paulo volta a pressionar a saída de bola e encurrala o Primavera, que se vê acuado em seu próprio campo. Quatro minutos depois, Luciano recebe dentro da área e cai após contato com o zagueiro Renato Vischi. O árbitro manda seguir, mas é chamado pelo vídeo. Depois de revisar as imagens no monitor, marca pênalti e mostra cartão amarelo para o defensor por falta imprudente.
Calleri assume a cobrança aos 34 minutos. O centroavante respira fundo, encara o goleiro e bate de pé direito, no alto, sem chance de defesa. A virada faz o estádio tremer e reposiciona o São Paulo dentro do campeonato. O argentino se aproxima da bandeirinha de escanteio, celebra com os companheiros e aponta para o escudo na camisa, gesto que conversa com a cobrança recente da torcida por entrega e resultados.
Classificação em jogo e pressão redistribuída
Os três pontos conquistados no Morumbi reposicionam o São Paulo na disputa pelo mata-mata e servem como alívio imediato. O time chega à casa dos 10 pontos e entra, ao menos momentaneamente, no grupo dos oito melhores do estadual. O cenário contrasta com a rodada anterior, quando a equipe convivia com o risco concreto de ficar pelo caminho já na primeira fase.
A vitória também tem efeito simbólico. O São Paulo mostra capacidade de reação após sofrer o gol e evita repetir partidas recentes em que cede vantagem ou se desorganiza defensivamente. A atuação ainda está longe de empolgar, mas o resultado oferece fôlego à comissão técnica e reduz o ruído em torno do elenco em um período de calendário apertado e cobranças crescentes.
Para o Primavera, o revés pesa. A equipe de Indaiatuba permanece na parte intermediária da tabela, vê um concorrente direto disparar e aumenta a pressão sobre os próximos compromissos. Em um campeonato de tiro curto, com primeira fase definida em poucas semanas, derrotas em confronto direto costumam custar caro. A luta por um lugar entre os oito ganha contornos mais duros.
O contexto do Paulistão desta temporada amplifica cada rodada. A presença de clubes tradicionais como Ponte Preta e Portuguesa na parte de baixo da tabela, com risco de rebaixamento e queda já consumada em alguns casos, funciona como alerta para quem ainda oscila. Ao mesmo tempo, o mercado se movimenta. O Corinthians acerta o empréstimo de um de seus goleiros para o futebol dos Emirados Árabes, e o presidente do São Paulo admite encontro com Carlo Ancelotti, mostrando como as decisões de campo e de bastidor se cruzam no início de 2026.
O que está em jogo nas próximas rodadas
A reta final da fase de grupos do Paulista começa a se desenhar. O São Paulo entra no bloco de cima, mas sabe que a margem de erro segue pequena. Vem pela frente uma sequência de jogos que pode consolidar a vaga ou recolocar o time sob risco, dependendo da consistência que o elenco consiga apresentar a partir desta virada.
A missão tricolor agora é transformar a reação deste sábado em padrão. A equipe precisa reduzir os apagões que permitiram ao Primavera dominar partes do jogo e ajustar a transição defensiva, alvo de críticas internas. Para os torcedores, a pergunta que fica é se a virada no Morumbi marca apenas um respiro momentâneo ou o ponto de virada real de uma campanha ainda cercada de desconfiança.
