Ultimas

Rio entra em estágio de alerta 2 após chuva forte e risco de novos temporais

O Rio de Janeiro entra em Estágio 2 de alerta às 16h deste sábado (7), após chuva forte em ao menos duas estações do Sistema Alerta Rio. O nível indica risco significativo de ocorrências de alto impacto na cidade nas próximas horas.

Chuvas avançam pela cidade e atingem principalmente a Zona Norte

O cenário muda no meio da tarde, quando núcleos de chuva se formam e ganham força sobre a cidade. As primeiras pancadas intensas atingem a Zona Norte, com registros de chuva forte a muito forte em bairros como Anchieta, Bangu e Jardim América. Em pouco tempo, vias importantes começam a ter pontos de alagamento, o trânsito reduz e motoristas tentam manobras de última hora para escapar da água.

O Centro de Operações da Prefeitura do Rio acompanha o avanço das nuvens em tempo real e decide elevar o município ao Estágio 2, o segundo nível em uma escala de cinco. A classificação indica, nas palavras do órgão, “risco de ocorrências de alto impacto na cidade”, como alagamentos, quedas de árvores, deslizamentos e interrupções em linhas de transporte.

Entre 15h40 e 17h20, as estações de Anchieta e Bangu somam os maiores acumulados: 45,8 milímetros e 29,6 milímetros de chuva, respectivamente. Em Guaratiba, o volume chega a 26,4 milímetros; na região da Barrinha, na Barra da Tijuca, 25,6 milímetros; em Santa Cruz, 25,2 milímetros. São índices concentrados em cerca de 100 minutos, suficientes para colocar pressão sobre a drenagem em áreas já conhecidas pela vulnerabilidade.

Por volta de 17h20, os núcleos mais intensos começam a se deslocar em direção ao oceano. Os radares registram gradual redução da chuva forte em setores da cidade, mas o alívio é parcial e temporário. Novas áreas de instabilidade se organizam sobre a Baixada Fluminense e avançam novamente em direção à Zona Norte, com previsão de chuva moderada na hora seguinte em toda a capital.

A meteorologia do Alerta Rio prevê céu nublado, com pancadas de chuva acompanhadas de raios e rajadas de vento nas horas seguintes. Há também possibilidade de queda de granizo em pontos isolados, condição que aumenta o risco de danos em telhados, fiações e veículos estacionados em áreas abertas.

Alagamentos, quedas de estrutura e impacto no dia a dia

Os reflexos das nuvens carregadas aparecem rápido no chão da cidade. Motoristas que passam pela Avenida Brasil relatam pistas cobertas de água em trechos de Realengo, Bangu e Vila Militar. Em Realengo, há transtornos na altura do posto Vagão, na Rua Bernardo de Vasconcelos e na Rua Marechal Falcão da Frota. Em Bangu, o cenário se repete na Avenida Brasil, na altura de um hipermercado atacadista, com carros reduzindo a velocidade e ônibus tentando manter o itinerário.

Em bairros da Zona Oeste, como Taquara, Guaratiba e Campo Grande, ruas de ligação viram gargalos. A Estrada do Engenho Velho, a Avenida dos Mananciais e a Estrada do Catonho registram pontos de alagamento. Em Campo Grande, a Estrada do Pedregoso alaga na altura de um supermercado, obrigando moradores a caminhar pela água para chegar em casa ou acessar o transporte público.

As ocorrências se espalham também pela Zona Norte e pelo eixo entre subúrbio e Ilha do Governador. Em Ricardo de Albuquerque, há registro de problema na Avenida de Nazaré; em Marechal Hermes, a Rua João Vicente tem trecho crítico próximo à Faetec. Na Ilha, a Estrada Governador Chagas Freitas, na altura do Detran, sofre com o acúmulo de água e trânsito lento.

O mau tempo não provoca apenas alagamentos. O Centro de Operações confirma a queda de um poste de sinalização na Avenida Pastor Martin Luther King Junior, sentido Del Castilho, próximo ao acesso à Linha Amarela. No Complexo do Alemão, uma estrutura cede sobre a fiação na Rua Antônio Austregésilo, aumentando o risco de falta de luz e exigindo atenção redobrada de pedestres e moradores.

Nas redes sociais, moradores relatam trovões fortes e vento intenso em diferentes pontos da cidade, especialmente na Zona Norte. Há registros de granizo em áreas mais afastadas e vídeos que mostram ruas como verdadeiros rios, situação recorrente em episódios de chuva de verão. O contraste entre trechos com temporal e outros ainda secos reforça o caráter localizado, mas potencialmente destrutivo, dessas formações.

O Estágio 2 permite que órgãos municipais ajustem suas equipes em campo e fiquem em alerta ampliado. Bombeiros, Defesa Civil, Comlurb e equipes de trânsito atuam de forma coordenada. Em situações semelhantes, a prefeitura costuma reforçar a limpeza de bueiros em pontos críticos, monitorar encostas e avaliar, caso a caso, o fechamento temporário de vias com alagamento persistente.

Orientações à população e incerteza sobre evolução do quadro

O Centro de Operações orienta que os moradores mantenham a rotina, mas com atenção redobrada. A recomendação é acompanhar as atualizações do Alerta Rio, buscar apenas canais oficiais e evitar áreas de alagamento conhecido. Quem vive em encostas ou em imóveis vulneráveis à inundação deve observar sinais de risco, como rachaduras, deformação de paredes e água subindo rapidamente pelo piso.

O município reforça o uso do serviço gratuito de SMS da Defesa Civil, que envia alertas personalizados por região. Para se cadastrar, o morador deve enviar o CEP de casa por mensagem de texto para o número 40199. O COR também incentiva o download do aplicativo COR.Rio, disponível para Android e iOS, que reúne mapas em tempo real, avisos de trânsito e boletins meteorológicos.

Em casos de emergência, o apelo é para que a população recorra diretamente aos serviços oficiais. O telefone 193 aciona o Corpo de Bombeiros; o número 199 conecta o cidadão à Defesa Civil municipal. O Centro de Operações mantém ainda atualizações constantes no perfil em tempo real na rede X, em x.com/OperacoesRio, com imagens de câmeras, alertas de vias interditadas e mudanças em linhas de ônibus.

A memória recente de enchentes e temporais graves pesa sobre cada novo alerta. A cidade convive há anos com a combinação de chuva intensa em curtos períodos, expansão urbana desordenada e infraestrutura de drenagem limitada. Cada episódio de verão funciona como teste para o sistema de alertas, que hoje opera em cinco níveis, do 1 ao 5, e tenta antecipar o risco antes que as sirenes precisem tocar em comunidades.

Especialistas em clima urbano defendem, em situações como a deste sábado, uma atenção especial às áreas de baixada e fundos de vale, onde a água se acumula com mais facilidade. Bairros como Bangu, Realengo, Campo Grande e pontos da Zona Norte reúnem altos índices de ocupação e histórico de problemas com enxurradas. A combinação entre solo já encharcado, novos núcleos de chuva e infraestrutura sobrecarregada pode tornar qualquer desvio de rota decisivo para a segurança de quem está na rua.

O Centro de Operações admite a possibilidade de nova mudança de estágio, a depender do comportamento das nuvens e de outros fatores de risco, como deslizamentos e quedas de árvores. A janela das próximas horas será decisiva para saber se o sábado termina apenas com transtornos pontuais ou se a cidade volta a enfrentar um episódio mais grave de chuva de verão. Enquanto o radar segue ligado, a dúvida permanece sobre até que ponto o sistema de alerta e a própria rotina da população conseguem se adaptar a um regime de temporais cada vez mais frequentes e intensos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *